Agosto Dourado: amamentar não é a única forma de amar
- Gabriela Lecomte
- 5 de ago.
- 2 min de leitura
Nem sempre a amamentação acontece como a gente imagina. E tudo bem.
Expectativas e vivencias da maternidade.
A maternidade é feita de muitos desafios. A amamentação, apesar de muito desejada, também pode ser um deles.
Crescemos ouvindo que ela é algo natural e instintivo, um momento de conexão e amor. Mas para muitas mães ela vem acompanhada de medo, dor, insegurança e culpa.
Recentemente recebi o relato de uma gestante que me emocionou. Em um trecho, ela escreveu:
"Quando eu imaginava a maternidade, a amamentação era justamente uma das partes que eu tinha decidido que talvez não viveria. Não porque eu não ame minha filha, mas porque eu tenho medo."
Muitas mulheres sentem esse mesmo medo, mas poucas têm coragem de falar sobre ele.
Às vezes existe dor. Às vezes existe exaustão. Às vezes existe frustração. E algumas mulheres não conseguem amamentar, ou escolhem não amamentar.
O sofrimento, na maioria das vezes, não vem só da dificuldade em si. Vem da sensação de que, se não acontecer como esperado, algo está errado e essa cobrança traz uma culpa enorme.
Do ponto de vista da saúde física, a amamentação oferece benefícios importantes para o bebê e para a mãe, e merece incentivo e apoio. Mas quando o assunto é saúde emocional, o olhar precisa ser mais amplo.
A amamentação constrói vínculo, mas não é a única via para isso. O vínculo também nasce no colo, no olhar, na voz, no toque, no cuidado e na presença dessa mãe. Uma dificuldade na amamentação não é uma dificuldade no amor. O que nutre uma criança vai muito além da alimentação.
Na terapia, muitas mulheres encontram espaço para elaborar essas expectativas, medos e culpas, porque, na maior parte das vezes, o sofrimento nasce da ideia de uma maternidade perfeita. E essa maternidade não existe.
Neste Agosto Dourado, além de falar sobre a importância da amamentação, deixo um convite: que a gente também cuide de quem amamenta. Cuidar da saúde mental da mãe é, também, cuidar do bebê.
Autora: Psicóloga Gabriela Lecomte
CRP 09/11231




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