Quais são os sinais de abuso sexual em crianças e adolescentes?
- Luciana Martins
- 12 de mai.
- 3 min de leitura
A família é a primeira linha de proteção, entenda os sinais de alerta e como agir.
Conforme a Organização Mundial de Saúde, a violência sexual configura-se como um dos mais graves e sérios problemas de saúde pública na atualidade. Por isso, torna-se necessário dar a atenção devida aos sinais que podem ser indicativos de que uma criança ou adolescente esteja passando por situações desse tipo — buscando que tais problemas não causem prejuízos ao desenvolvimento saudável da infância e da adolescência.
A família é figura fundamental na identificação desses sinais de alerta.
Sinais comportamentais
Mudança repentina de humor e hábitos
Retraimento ou extroversão incomum
Agressividade sem causa aparente
Retorno de comportamentos infantis já superados
Medo e pânico inexplicáveis
A mudança, geralmente, acontece de forma imediata e inesperada.
Sinais emocionais
Tristeza constante e choro frequente
Ansiedade e angústia
Baixa autoestima
Sentimento de culpa ou vergonha
Comportamentos sexuais inadequados para a idade
Interesse repentino por questões sexuais
Brincadeiras de cunho sexual
Uso de palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas
Rendimento escolar
Queda não justificada na frequência ou no desempenho escolar
Dificuldade de concentração e aprendizagem
Pouca participação em atividades escolares
Tendência ao isolamento social
Silêncio predominante: o abusador costuma fazer ameaças de violência física e mental, além de chantagens, visando manter a vítima em silêncio
Uma criança que se fecha de repente pode estar com medo de falar.
Enfermidades psicossomáticas
Problemas de saúde sem causa clínica aparente, como dor de cabeça, erupções na pele, vômitos e dificuldades digestivas, que na realidade têm fundo psicológico e emocional
Como a psicoterapia pode ajudar
Caso tais sinais sejam observados, torna-se indispensável a busca por ajuda psicológica com o objetivo de recuperação física, emocional e psicológica das vítimas. A psicoterapia será um mediador do impacto da violência ou abuso sexual sofrido na infância e adolescência, com os seguintes objetivos:
Proporcionar um contexto de escuta segura e acolhimento, para que a criança ou adolescente possa abordar as questões implicadas na situação de violência ou abuso sexual. Promover o controle e a redução de sintomas que possam ocasionar quadros de depressão, ansiedade e transtorno do estresse pós-traumático, além de identificar os danos emocionais e comportamentais decorrentes da violência. Trabalhar a elaboração do trauma, permitindo que a vítima ressignifique a experiência, buscando amenizar impactos em suas crenças, autoestima e autoimagem, com foco no resgate do senso de valor próprio, dignidade e na recuperação da autonomia emocional, além de promover a resiliência e a reconstrução da vida após a violência. Oferecer aconselhamento aos pais e responsáveis, orientando sobre como lidar com as consequências da violência ou abuso sexual, como fortalecer a relação com a criança e como criar um ambiente seguro e protetor. Atuar na prevenção da revitimização, buscando o fortalecimento emocional, a educação sobre direitos e limites ajuda a prevenir novas situações de abuso.
Um compromisso coletivo
É fundamental lembrar que, embora esse seja um tema delicado e doloroso, o enfrentamento da violência e do abuso sexual começa com a escuta atenta e o acolhimento das crianças e adolescentes. Se fazer presente, perceber mudanças e agir com responsabilidade e empatia pode fazer toda a diferença na vida de alguém que sofre em silêncio.
Pais, mães e responsáveis são peças-chave nesse processo de proteção e cuidado. Com atenção, empatia e informação, contribuímos para o desenvolvimento saudável e seguro das nossas crianças e adolescentes.
Psicóloga: Luciana Martins
CRP: 01/17692




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